Esquemas

Esquemas Iniciais Desadaptativos

Ilustração de um cérebro: metade em traço técnico, metade tomada por flores e borboletas.

Na Terapia do Esquema, partimos da compreensão de que todos nós temos necessidades emocionais fundamentais. Entre elas estão a necessidade de vínculo seguro, amor, pertencimento, aceitação, autonomia, competência, limites realistas, liberdade para expressar emoções e necessidades, espontaneidade e lazer.

Quando essas necessidades são suficientemente atendidas ao longo do desenvolvimento, a criança tem maiores possibilidades de construir uma percepção de si mesma e do mundo que seja segura, flexível e realista.

Mas quando determinadas necessidades são frustradas de forma persistente, excessiva ou inadequada, especialmente nas relações importantes da infância e da adolescência, podem se desenvolver os chamados Esquemas Iniciais Desadaptativos.

Os esquemas são padrões profundos de percepção e interpretação. Eles envolvem memórias, emoções, sensações corporais, pensamentos e significados construídos a partir das experiências vividas. Funcionam, muitas vezes, como lentes através das quais passamos a interpretar quem somos, o que podemos esperar dos outros e como devemos nos posicionar diante do mundo.

Por isso, duas pessoas podem viver situações semelhantes e atribuir significados completamente diferentes a elas. Uma pode pensar: “Isso aconteceu, mas eu continuo sendo importante.” Outra pode experimentar a mesma situação como confirmação de uma crença antiga: “Eu não sou importante para ninguém.”

Ao longo da vida, não desenvolvemos apenas esquemas desadaptativos. Também construímos esquemas e recursos funcionais, que nos ajudam a lidar com mudanças, frustrações, vínculos e desafios de maneira mais flexível.

E, diante dos esquemas que nos causam sofrimento, desenvolvemos maneiras de enfrentá-los. Na Terapia do Esquema, compreendemos essas respostas como estratégias de enfrentamento. Elas podem ter surgido como tentativas de proteção em algum momento da vida e, embora tenham feito sentido naquele contexto, podem continuar sendo utilizadas na vida adulta mesmo quando já não são necessárias — e, às vezes, acabam mantendo o sofrimento.

Por isso, talvez seja mais adequado pensar no esquema não como “aquilo que eu sou”, mas como uma parte da história que aprendi sobre mim, sobre os outros e sobre o mundo.

É como se fizéssemos um mapa interno: o que aprendi sobre quem sou, o que posso esperar dos outros, o que preciso fazer para ser amado, como devo me proteger e o que acredito que acontecerá quando minhas necessidades não forem atendidas.

Esse mapa influencia a maneira como pensamos, sentimos, escolhemos, nos relacionamos e reagimos.

E é justamente aí que a Terapia do Esquema se torna tão interessante: não precisamos permanecer prisioneiros do mapa que aprendemos a usar. Podemos compreendê-lo, reconhecer de onde ele veio e, aos poucos, construir maneiras mais saudáveis e flexíveis de estar conosco, com os outros e com o mundo.

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