Poema

Presente

Mão aberta diante do pôr do sol, com um relógio que se desfaz em pássaros.

Qual é o tempo para esperar?
Qual é o tempo de plantar?

A vida segue ligeira,
é preciso acompanhar.

Qual o caminho perto?

Qual o destino mais certo?

A vida passa tão rápido,
não para para eu reclamar.

Quantas coisas deixei de fazer
por medo do que iriam falar?

Quantas canções deixei de cantar
por medo de desafinar?

A vida passa ligeiro,
é preciso acordar.

Quantos abraços precisei
para não desmoronar?

Quantos encontros eu perdi
por medo de me encontrar?

A vida é mesmo engraçada,
do nada nos põe a pensar.

Quantos passaram por minha vida
e quantos irão passar?

A vida passa ligeiro,
é preciso aproveitar.

O beijo melequento do filho,
a fé da avó ao rezar,
a comida gostosa da mãe,
um filminho no sofá,
andar descalço na grama,
as ondas nos pés a quebrar.

A vida passa ligeiro,
é preciso se curar.

Da mágoa que ficou guardada,
da unha que está encravada,
da amizade que está na balança,
do medo de não ser nada.

A vida passa ligeiro,
é preciso se apressar.

Para falar para aqueles que ama
que existe motivo para sonhar.

Para descansar em meio à jornada,
porque o fim não tarda a chegar.

Para comer aquilo que queira
sem pirar em engordar.

Para brincar com as crianças de casa
e a sua resgatar.

Para lembrar de coisas passadas
e, de tanto rir, chegar a chorar.

A vida passa voando,
é preciso suportar.

Que nem tudo dará certo.

Que nem todos vão te amar.

Que terão dias cinzentos
e dores de gritar.

A vida passa depressa,
é preciso se atentar

para não ficar parada,
esperando a roda alguém inventar.

A vida acontece agora.

É preciso
Presente
Estar.

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