Textos e Poemas

Histórias de vidas

Mulher de costas, abraçada a si mesma, diante das luzes de uma cidade à noite.

Estava imensamente feliz e tinha certeza de que ganharia o mundo, mas, mesmo com tanta alegria, no fundo sentia-se cansada daquele turbilhão de emoções que a acompanhava há tempos.

Tinha a impressão de que sua vida era uma montanha-russa, com incontáveis descidas muito íngremes e velozes, e subidas lentas que, às vezes, pareciam até parar.

Ela queria viver um amor de filme, mas suas relações eram tão turbulentas que mais pareciam uma guerra, onde ambos os lados se feriam.

Costumava lembrar dos amigos com saudades, mas, no mesmo instante, os odiava, pois entendia que todos tinham seguido suas vidas e não mais se lembravam dela.

Ouvia incessantemente as queixas de seus pais e se cobrava por não ter sido boa filha, boa amiga, boa, boa...

Buscava alívio em tudo que era rápido, perigoso e, às vezes, até mesmo ilegal. Amores fluidos que escorriam por entre dedos e lençóis logo que amanhecia.

Mas hoje estava bem, e isso não importava. Não se incomodava com essas idas e vindas de amores e pessoas. Em outra época, essas mesmas pessoas lhe pareceriam inferiores e ela nem se aproximaria.

E, nesse descontrole, supostamente controlado por uma ânsia de prazer a todo custo, se feria novamente, sem ao menos perceber que isso a levaria, mais uma vez, ao looping e à descida dessa vida que mais parecia uma montanha-russa.

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